Achei que era sorvete, mas era vazio existencial


Acho que todo mundo tem pelo menos algum tipo de pensamento que ajuda a tornar um dia de merda mais tolerável. Encontrar a esposa/marido quando chegar em casa, o fim do expediente, brincar com o cachorro, assistir um episódio novo de alguma série.

Eu acho reconfortante saber que tem sorvete no congelador.

Aí um dia desses, quando criei vergonha na cara pra botar o pé pra fora de casa e me arrependi 5 minutos depois, a única coisa que me consolava era saber que o dia tava uma merda, mas pelo menos tinha um pote de sorvete no congelador. Ele tava lá. Eu tinha visto de manhã. Eu ia chegar em casa, pegar aquele pote de sorvete e comer direto, de colher, assistindo Discovery Home&Health, e o universo ia fazer sentido de novo.

Então eu abri o pote de sorvete.

E não tinha sorvete.

Não tinha feijão.

Não tinha nada.

Alguém largou o pote de sorvete vazio dentro do congelador e eu fiquei olhando e aquele pote de sorvete vazio me deu uma angústia tão grande que gente. 2016 é isso. É esse pote de sorvete vazio que largaram dentro do congelador, te roubando não só a chance de tomar sorvete mas a possibilidade de fazer a piada do "achei que era sorvete, mas era feijão".

Aí você lembra que pra 2017 já anunciaram a volta da calça de cintura superbaixa e gente.

Assim não dá pra viver.

Não dá.




Aquelas coisas sem sentido que a gente pensa de madrugada


Daí que dia 16 começou horário de verão né, e eu realmente gosto dele porque nem afeta meu sono. Eu não preciso de ajuda mesmo pra ferrar meu horário de dormir, já faço isso sozinha mesmo e sou muito bem sucedida. Mas eu tava à toa no twitter observando a paisagem timeline e apareceu um tweet da Babi comentando sobre o horário de verão e confirmando se era 3 da manhã mesmo.

Aí acontece aquela coisa mágica que só as madrugadas conseguem trazer, que é pensar em coisas que a gente não deveria pensar.

Tenho claramente na minha cabeça (ou não tão claramente assim porque só lembro de 2 mas sei que tem mais) a imagem de alguns filmes de terror em que as ~coisas~ acontecem entre 3 e 4 da manhã (margem de erro pra mais ou pra menos, mas é sempre girando em torno de 3 da manhã). E eu não lembro direito porquê, mas tem uma treta com 3 da manhã sendo uma hora ~maldita~ ou algo assim. Meu sono é um negócio meio cretino, porque eu acordo várias vezes durante a madrugada, e toda vez que isso acontece perto desse horário, eu sempre espero chegar 4 da manhã pra voltar a dormir. Ou se ainda não fui dormir, não deito antes de 3:30 de jeito nenhum.

Aí chegou o horário de verão, eu vi esse tweet da Babi, lembrei disso das 3 da manhã e fiquei meio desgraçada da cabeça porque assim: como procede agora? Eu continuo com medo de 3 da manhã, ou adianto pra 4? Entidades malignas trabalham com horário de verão? Como fica fuso horário? O demônio fica tão confuso quanto a gente, ou horário de verão não vale pra ele?

Muita dó do demônio e do papai noel com essas coisas de horário. Não deve ser fácil pra eles.


Bienal 2016: só amor e muito cansaço


A primeira bienal que fui foi a de 2012: fiquei pouco tempo lá e não deu pra aproveitar muita coisa, mas foi legal ver o tamanho do evento. A segunda foi a de 2014, em que trabalhei no estande da Companhia das Letras, e a experiência foi incrível. Ajudei no último dia da montagem do estande e carreguei trocentos livros, conheci e encontrei pessoalmente um monte de gente legal, peguei autógrafos, tive um dor de garganta fodida e fui embora no último dia querendo que aquilo não acabasse nunca.

Agora em 2016 tive a oportunidade de trabalhar de novo no estande da Companhia, e tudo pode ser resumido em muito amor e muito cansaço ♥

Esse ano participei dos dois dias de montagem do estande, com direito a ter que usar capacete de proteção e tudo. O que me deixou meio complexada, porque o capacete ficou grande na minha cabeça e tive que fazer uma gambiarra com um elástico pra ele parar, mas mesmo assim me deu neura de abaixar a cabeça e passei dois dias com uma dor tremenda no pescoço.

Trabalhar na montagem dá uma sensação meio emocional pra quem adora esse tipo de evento porque é praticamente ver a bienal nascendo: o chão nem tem carpete ainda, os estandes ainda sendo montados, as estantes vazias e as caixas de livros chegando e sendo abertas, o caos e a poeira aos poucos tomando a forma do evento. Também cansa pra caramba: a gente carrega tudo, empilha tudo, troca a pilha de lugar, a pilha cai, os livros caem, a gente quase cai, nosso braço ameaça cair também. Mas vale a pena.


Do primeiro dia até o último, trabalhei na parte da manhã. Isso significa que eu via todos os dias o tamanho da fila esperando pra entrar. No geral, achei que a bienal de 2014 foi mais lotada. Naquele ano, todos os dias era quase impossível andar pelos corredores. Nesse, só lotou a ponto de não dar pra se mexer direito nos finais de semana. Isso não significa que ela estava vazia: a muvuca era grande sempre, só não tão intensa quanto foi em 2014. Não sei exatamente os motivos, mas provavelmente os preços são um deles: o ingresso esse ano foi mais caro, estacionamento foi mais caro e a comida era ridiculamente cara. O preço das lanchonetes, comparados com 2014, estavam muito maiores. Quando você pensa que esse aumento é de propósito, a vontade é de nunca mais frequentar nenhuma das redes que fizeram parte do evento. Esses preços maiores na alimentação foram bem babacas.

Uma coisa que reparei mais esse ano foi as excursões de colégio. Não sei como funciona quando uma escola (pública ou particular) decide levar os alunos pra bienal, mas a maioria esmagadora desses alunos entrava nos estandes achando que tudo era livraria e todos tinham livros de todo mundo. Também não sabiam os horários dos autógrafos, das palestras, nem como elas funcionavam. Fiquei com a impressão de que os colégios não explicam aos alunos antes da visita o que é a bienal, como ela funciona e o que eles vão encontrar por lá. Por isso fiquei curiosa sobre como funciona esse processo todo, entre decidir levar os alunos e a visita propriamente dita. Se alguém souber e puder me contar, eu agradeço.

Outra coisa, ainda na questão dos colégios, é que muitos ficavam por lá no máximo umas 2 ou 3 horas. Só que em 2 ou 3 horas de bienal, você não faz muita coisa. Só em filas (de banheiro, de comida, de passar no caixa, de entrar num estande cheio, de um autógrafo) você já gasta uma boa parte desse tempo. Não sei se de repente não seria mais interessante planejar a ida com alguma palestra específica em mente, por exemplo, pra garantir que os alunos possam ter contato com alguma outra coisa que não seja só procurar os livros com desconto, ou procurar alguém que possa ir acompanhando os alunos e explicando algumas coisas sobre os estandes, as palestras e os autores. Mas novamente, não sei como isso funciona, então de repente não é algo possível na prática por causa de logística ou até de tempo mesmo, já que muitas escolas vêm de bem longe de São Paulo.

Cada pessoa que vai pra bienal tem alguma prioridade na hora de gastar, e a minha foi procurar autores nacionais que eu poderia pegar autógrafo. Deu pra conhecer autores novos pra procurar depois (já que apesar da ideia de deixar meu rim por lá como pagamento era atraente, porém não acho que os estandes aceitariam), deu pra tietar os migos, deu pra passar muita vergonha porque não sei muito bem como não parecer meio perturbada na hora de ficar perto de pessoas potencialmente legais. Sou dessas que não sabe conhecer gente nova legal sem parecer que vai morrer de nervoso no processo. Desculpa, gente. Meu jeitinho. Mas considero essa uma das coisas mais legais da bienal: a oportunidade de conhecer os autores de perto, nem que o contato seja rápido ou só um oi. Queria ter aproveitado melhor algumas das palestras, mas meus horários acabaram não batendo.

Voltei pra casa de coração quentinho pela quantidade de gente legal que pude rever e conhecer. Também voltei cheia de roxos nas pernas, arranhões nos braços, dores nos pés, nas pernas, nos braços e no pescoço e até agora meu calcanhar ainda dói um pouco quando encosta no chão e minhas mãos ainda não se recuperaram de ter lidado com o peso da minha mala (mesmo eu tendo sido salva pelo Felipe Castilho no último dia, que carregou minhas tranqueiras pra mim até o uber).

Tive alguns momentos de raiva, ódio e rancor, mas fazendo um balanço geral, foi lindo, foi cansativo, foi amor.

E até 2018.


BIENAL 2016: nem começou e já tudo dói


O post de hoje não vai ter a imagem de abertura bonitinha, pelo menos não até eu voltar pra casa dia 4 ou 5 e puder editar (edit 16/05/2018: não editei a foto e nem vou). Até tinha preparado uma, mas resolvi mudar o assunto do post de última hora. Então vai um pato mesmo. Também não vai ter formatação direito, porque estou dependente do app do blogger. Se o post sair sem querer, sei lá, em klingon, vocês me perdoem e joguem no google tradutor.

Nunca, na minha vida, arrumei uma mala tão pesada. Na verdade é uma mala, uma bolsa com uma manta, um tênis e um moletom e uma ecobag fazendo as vezes de bolsa.

Metade da mala é comida. Eu não tô brincando. A quantidade de chocolate e bolacha/biscoito é suficiente pra bienal inteira. Mas sou descontrolada, e mesmo depois de comer pizza, coca-cola e chocolate quente ainda quero comer tudo já hoje. A ideia era me poupar de ter que ir atrás disso em supermercado por aqui. Veremos.
A ideia também era que, assim que a comisa acabar, a mala obviamente se encherá de livros.

O que vai deixá-la ainda mais pesada.

Eu já mencionei o quanto essa mala está pesada?

Está pesada o suficiente para ter sido jogada escadinha abaixo quando saí do elevador do prédio em que minha amiga mora, porque eu não tinha mais nem força física nem emocional para arrastar esse troço - e olha que ela tem rodinhas.

Queria que meu emocional tivesse rodinhas, seria mais fácil carregá-lo por aí. Ou não, já que a própria mala já está difícil, imagina aí umas décadas de probleminhas.

Também cheguei em São Paulo toda encapotada de casaco e cachecol, porque FRIO, mas dei de cara com um baita sol. 
Deus zoando com a minha cara obviamente.

Tira casaco.

Depois de carregar o celular, fui atrás de pizza, dorflex e pokémon, e cadê aquele calorzinho de tarde? O ventinho parece virar gelo quando bate na minha perna.

Bota casaco. E cachecol. E meia-calça por baixo da calça.

Agora estou alimentada e me preparando para um banho, enquanto considero gastar um rim de táxi/uber amanhã para ir para a montagem do estande, porque vou de mala e tudo para depois ir para o apartamento onde vou ficar de vez até o fim da Bienal. Porque eu não vou carregar essa mala pesada.

E preciso das minhas mãos livres para pegar pokémon, porque São Paulo parece um par de pokestop.

Prioridades.

7 videoclipes com gente famosa + um bônus creepy pra caramba


Quase morri de amor quando vi o Ian McKellen sendo fofo no video de Listen do the man do George Ezra (aliás foi assim que eu conheci o George Ezra), e um tempo depois quase morri com o Idris Elba em Lover of the light do Mumford & Sons. Aí é aquela coisa, BEDA, a gente precisa de pauta, então toma aqui 7 videoclipes com participação de gente famosa sendo linda, gente famosa sendo fofa e gente famosa sendo creepy pra caramba (oi Rosamund Pyke).


Como lida com esse amor em forma de ser humano chamado Ian McKellen?


Idris Elba a gente agradece todo dia por existir e esse video ainda é lindo


Difícil não rir com Tom Hanks sendo fofinho


Danny DeVito dirigindo um video de One Direction eu nem tenho palavras


Dianna Agron 


Angelina Jolie é linda de qualquer jeito


Aubrey Plaza descontroladíssima


BÔNUS CREEPY PRA CARAMBA

Rosamund Pike e um orbe bizarríssimo EU FIQUEI COM MEDO




No meio do caminho tinha um monte de ganso


O parque em que comecei a caminhar todos os dias por culpa de Pokemon Go (aqueles ovos malditos não vão se rachar sozinhos) é um lugar relativamente tranquilo. O percurso não é muito longo, o que é ótimo para uma pessoa recém saída do sedentarismo completo, e tem uma quantidade de árvores suficiente para fazer sombra na maior parte dele. Não é muito lotado nem muito vazio, dá para ir a pé de casa e ainda é perto de um hospital. Não que isso seja algum tipo de pré-requisito ou algo assim, mas é sempre bom quando o lugar que você começa a ir com frequência é perto de um. Nunca se sabe. A lagoa no centro tem peixinhos e patos, e as pessoas podem jogar migalhas de pão se quiserem.

O parque também tem gansos.

Vários gansos.

Que ficam justamente na reta final do percurso.


Toda vez que chego nessa parte, paro de andar e de olho na movimentação deles, para saber se é seguro passar andando ou se é melhor correr e acabar com aquele pesadelo logo, ou se de repente não é melhor só voltar o trajeto inteiro mas garantir que vou sair de lá viva.

Quem diz que tem medo de barata porque elas atacam obviamente nunca ficou muito perto de um ganso.

Eles não apenas avançam, eles observam a vítima antes, calculando qual a melhor forma de ataque. É desesperador. E eu não estou sozinha nessa. Todo mundo, quando chega nesse trecho, fica com um certo receio quando os gansos estão no meio do caminho. Os frequentadores que preferem correr chegam até a irr mais rápido naquele pedaço, só para garantir. E até ontem eu estava conseguindo escapar ilesa, pois eles sempre estavam mais nas beiradas, deixando o meio livre, ou concentrados juntos em um dos lados, me deixando livre para passar ainda mais longe deles.


Até ontem, quando eles resolveram ficar espalhados por todo o espaço final. E ainda por cima ia começar a chover, então voltar o percurso todo não era uma opção, já que não posso me dar ao luxo de ficar doente faltando só 7 dias para a Bienal. Fiquei parada quietinha, esperando que eles pelo menos abrissem uma brecha pela qual eu pudesse passar rezando para não ser atacada. Talvez teria sido menos pior se eu de fato tivesse sido atacada. Mas não.

Quando finalmente abriu-se um pequeno pedaço em que eu podia passar, três deles resolveram parar e olhar na minha direção.

E ficaram lá. Me encarando. E não pararam até que eu atravessei aquele trecho.

Quando eu já estava meio longe, olhei para trás e eles ainda estavam lá. Olhando.

Aí foram embora, cuidar de seus problemas de ganso. Ou planejar a minha morte.

Na próxima, acho que volto o percurso todo mesmo. Nunca se sabe.

Não disse que era bom o parque ser perto de um hospital?


Resumo das Olimpíadas por alguém que só acompanha pelo twitter


A abertura eu vi e essa eu sei que uniu todas as tribos, como o Norvana.

A gente ama a Marta. Aliás, a gente ama o time feminino de futebol.

A gente não ama muito o time de futebol masculino não.

O Galvão chorou por causa do Neymar, ou alguma coisa assim. Fiquei com dó.

A Sarah do judô perdeu mas a gente ama ela mesmo assim.

Todo mundo vai ter problemas de pressão alta por causa do vôlei.

A gente ganhou medalha no tiro e todo mundo ficou WOAH.

A Danielle Hypolito caiu com a música da Anitta, mas a gente ama ela mesmo assim.

A gente também ama a Anitta, aliás.

A gente ama a Simone Biles e se ela quiser ficar aqui pelo Brasil mesmo a gente tá ok com isso.

A gente também ama o Guga e ele é o labrador oficial do país.

Gringo reclama do café, gringo reclama do kibe, gringo reclama de biscoito de polvilho. gringo reclama que a torcida brasileira grita, gringo reclama dos trajes de banho brasileiros.

A gente acha que gringo tem que parar de encher o saco.

E o avião é nosso.

A Colômbia tentou quebrar o Neymar de novo e a gente voltou a amar ele um pouquinho.

A gente ama praticamente todos os ginastas, menos Aquele Que Não Deve Ser Nomeado.

O Phelps um dia ainda vai morrer soterrado pelos milhões de medalhas que já ganhou na vida.

Tem uma moça que nada tão rápido que teve que ficar de boa esperando o resto das competidoras chegarem no final. A gente achou isso o máximo.

Jogamos tanta praga na Hope Solo que o time dela perdeu. Bem feito.

Rafaela Silva ganhou medalha no judô e a gente ama ela muito.

A Leslie Jones veio pro Rio e os comentários dela via twitter são sensacionais.

Todo mundo se identifica com o Bolt na hora que a janta fica pronta.

Fight like a girl, play like a girl. win like a girl.

Alguém precisa dar um rivotril pro Bernardinho, ou chamar um cardiologista.

O avião é nosso.






Frustração e suas aparições sem sentido


Preguiça me leva a fazer uns negócios tão idiotas que sei que devia ter vergonha, mas acontece que a pouca que eu tinha de fazer essas coisas, eu comi.

Sabe aquilo de abrir a porta da geladeira pra pensar? Eu “penso melhor” com um copo de alguma coisa do lado – geralmente água ou coca-cola, mas o problema não é esse. O problema é o que acontece depois que o conteúdo do copo acaba.

Seja água ou refrigerante, eventualmente acabo querendo tomar outra coisa depois. Aí fico olhando pro copo e pensando que deveria levá-lo até a pia pra lavar e poder usar de novo. Mas pergunta se é isso que eu faço.

É isso que você faz?

Não. Não é.


Eu não sei o que acontece na minha cabeça nessa hora que o que eu faço é levantar, ir até a cozinha e pegar outro copo. Até me engano pensando que posso lavar os dois depois (e eu sou muito boa em mentir pra mim mesma que vou fazer alguma coisa sendo que eu sei que não vou), e acabo com dois copos na escrivaninha. E eles ficam lá. Aí eu vou pra outro cômodo, ou jantar, ou o raio que o parta, esqueço daqueles dois copos e acabo pegando outro, que invariavelmente vai comigo pro quarto, e por aí vai, e quando percebo tenho uns 4 ou 5 copos sujos acumulados e ainda fico frustrada por isso ter acontecido sendo que eu podia muito bem ter evitado essa situação desde o começo, lavando o primeiro copo.

Só que eu também não tiro esses 4 ou 5 copos da escrivaninha. Eles ficam lá, ao mesmo tempo uma lembrança eterna da minha falta de vergonha na cara e algo que eu prefiro fingir que não está lá ao invés de apenas pegar os malditos e levar para pia, até que alguém se irrita e os tira de lá.

Eu podia evitar toda essa frustração causada por copos? Podia.

Eu vou? Não.

E a vida continua.






5 perfis de caligrafia e lettering para seguir no instagram


Das contas ~das artes~ que eu sigo no Instagram, algumas das que mais gosto são de caligrafia e lettering. Acho essas coisas muito mágicas, meu sonho um dia conseguir fazer coisas bonitas assim (obviamente nunca vai acontecer se eu não for atrás de aprender e treinar, mas anyway). Separei 5 pra quem quiser encher o dia de mensagens legais escritas/desenhadas com letras lindas.

INSTA DO BEM
A conta do Indiretas do bem é sempre cheia de mensagens bonitas e motivacionais que ajudam a melhorar um dia de merda.

ATELIER IVORY
A Marcela Staub se especializa em convites de casamento, papelaria fine art e caligrafia, o feed todo é a coisa mais linda e dá vontade de casar só pra encomendar tudo com ela.


BY ALINE ALBINO
Além do instagram, a Aline Albino ainda tem um canal no youtube dando dicas de como aprender caligrafia e lettering!

CHALLIGRAPHY BY TESA
O feed da Tesa Padilla é de ficar um tempão parada olhando de tão bonito!

NERDY POST
O melhor da conta da Alexis Lampley fica por conta dos vídeos dela fazendo os letterings.


Aquela vez que afoguei um Santo Antônio e ele se vingou


A minha família não é exatamente religiosa. Não temos costume de ir à missa e coisas do tipo, mas acendemos velas para santos, temos uma imagem de Nossa Senhora e uma de Iemanjá e todo ano colocamos doces para São Cosme e Damião. Nada muito diferente de muitas famílias brasileiras comuns. Eu também não sou uma pessoa exatamente religiosa, nem lembro a última vez que pisei numa igreja e tenho minhas mil e uma ressalvas com várias religiões, mas acendo velas para santos e guias, peço ajuda para São Longuinho me ajudar a encontrar coisas e tenho um pingente de Nossa Senhora que já tem um tempinho não sai do meu pescoço quando eu saio de casa. Nada muito diferente do que muita gente faz todos os dias.

Uma coisa que muitas famílias brasileiras e muitas pessoas fazem, além das promessas para santos, é a famosa simpatia. E desconfio que, de todo o panteão católico, o santo mais requisitado é Santo Antônio. E eu sei que, das simpatias para Santo Antônio, boa parte delas sempre acaba com o coitado em maus lençóis: ou elas envolvem esconder o menino Jesus, ou esconder o santo no fundo do armário, ou colocá-lo de castigo ou de ponta-cabeça num copo d'água, entre outras, tudo isso na esperança de que ele traga o amor verdadeiro, ou qualquer coisa parecida. Todo mundo diz que funciona, todo mundo diz que é besteira.

Ninguém diz que, às vezes, o santo se vinga.


Era época de faculdade, era perto do dia dos namorados ou do dia de Santo Antônio mesmo, não me recordo bem, mas era época das simpatias amorosas. Também era uma época em que eu estava solteira e sem muita coisa melhor para fazer, então quando minha mãe falou brincando que eu devia fazer uma simpatia para o santo, eu pensei "ok". Achei que era meio que o tipo de experiência que todo mundo devia ter pelo menos uma vez, sabe. Plantar uma árvore, escrever um livro, ter um filho, fazer uma simpatia para Santo Antônio. Ok. Por que não?

Dei uma olhada na internet e acabei escolhendo uma que consistia em colocar o santo de ponta-cabeça dentro de um copo com água no fundo do armário, de castigo, e só tirar quando ele trouxesse o amor verdadeiro ou qualquer coisa que o valha. Então botei o santo lá e fui continuar a não ter coisa melhor para fazer.

O santo não gostou nadinha.


Não ter coisa melhor para fazer, no caso, era uma festa de faculdade três dias depois da simpatia feita. Eu fui, conheci um cara que parecia simpático, bonitinho, acabamos ficando, trocamos telefone, nada tão interessante assim.

Só que no dia seguinte ele ligou.

Conversamos um pouco, naquela época era mesmo telefone, orkut e MSN (essa história já tem mais de 7 ou 8 anos, só para quem estiver curioso), ele morava perto da minha casa e perguntou se podia passar por lá quando fosse passear com o cachorro. E eu disse ok, por que não? E ele passou. E o cachorro dele era um saco, e nós dois ficamos mais ou menos 15 minutos sentados na calçada da minha casa sem falar nada, porque não tínhamos nada em comum, logo, não tínhamos assunto. E ele foi embora, e eu pensei "ok". Melhor assim. Mas ele quis continuar conversando por MSN, aquela coisa monossilábica de pessoas que não têm nada em comum, logo, não têm assunto. Cheguei até a ir até onde ele morava, mas... enfim. Vocês já notaram o curso da coisa.

Acontece que além de tudo isso, ele foi se mostrando uma pessoa chatinha, inconveniente... e insistente. E eu não sabia o que fazer, porque naquela época ir direto ao assunto não era algo que me parecia uma opção. Então achei que só parar de responder ou dar desculpas esfarrapadas ia resolver.

Não resolveu.


Ele encheu a paciência por quase um mês, até o dia em que ligou me chamando para sair e eu disse que não podia porque estava ocupada pelo resto daquele mês e do próximo. O moço ainda argumentou, indignado, que não ia correr atrás o tempo todo, e eu, do alto da minha falta de tato social comum a pessoas que não sabem como agir nessas situações, respondi "mas não é para correr atrás mesmo".

Depois de desligar, lembrei do santo no armário. Saí correndo, tirei ele de lá, botei no lugar certo, pedi desculpas e disse que nunca mais faria nada parecido.

O moço nunca mais ligou e eu nunca mais fiz nenhuma simpatia.






BEDA e outras coisas que não levei pra frente (mas sempre acho que vou)


BEDA (Blog Every Day August) tem inspiração no VEDA (Vlog Every Day August), mas enquanto um é de videos, o outro é de posts. A ideia é fazer posts todos os dias durante o mês de Agosto (ou Abril também, se não me engano) e muitos blogs participam. Já tinha visto ano passado (não lembro agora se participei ou não, mas se participei, não fui até o fim por motivos que vou esclarecer por aqui mesmo). Quando vi um tweet falando sobre um grupo no facebook (o Se organizar, todo mundo bloga) que estava organizando um BEDA esse ano, decidi participar assim, de última hora mesmo. Sem programar posts nem nada. Na louca mesmo. Mas como sou uma louca medicada, achei melhor não me comprometer a postar todos os dias. Até porque meus compromissos "pessoais de mim comigo mesma" costumam resultar num enorme FUÉN.

Um exemplo disso é esse post do começou desse ano. O one line a day eu larguei mão. Não anda acontecendo nada na minha vida ultimamente e existe um limite de vezes que se pode registrar "meu gato arrancou o rabo de uma lagartixa" sem parecer meio delusional. Talvez eu retome o registro ano que vem pulando 2016 (não gosto de começar coisas assim em meio de ano), talvez ele continue só um livrinho bonito na minha estante. De qualquer maneira, é mesmo um livrinho muito bonito. Também ainda não comecei o 642 things to write about nem o Listografia nem o My bibliofile, mas esses é por pura falta de vergonha na cara mesmo. Mas uma hora vai, porque eu trabalho muito bem com autoengano achando que ainda vou usar essas coisas.

O desafio de leitura do Goodreads eu já me conformei que não vai ser cumprido direito e estou bem de boa com isso. Na verdade estaria mais de boa se o site não ficasse jogando na minha cara que atualmente estou 13 livros atrasada na meta anual. Cala a boca, Goodreads, eu não te perguntei nada!


Mas nem tudo foi um desastre completo. O desafio fotográfico da Sernaiotto, o The fabulous project, eu continuo fazendo. Às vezes pulo algum ou alguns dias, mas acho que o importante é que ele continua a ser feito e eu adoro fuçar na tag e ver as fotos legais que as pessoas postam. O Uma pergunta por dia está estranhamente em dia, ainda que os registros não pareçam muito animadores. E Agosto não vai ser um mês ruim porque tem a Bienal de São Paulo. Talvez seja aí que o BEDA por aqui diminua ou suma, porque estarei fora de casa e com internet só no celular. Ou talvez ele se transforme em posts sem diagramação decente mesmo. Quem sabe.


Vai ter livro de youtuber sim


Tivemos a moda literária de livros de vampiro, livros eróticos, livros de pintar, e a atual é livros de Youtuber. E como toda nova onda literária, entra também na moda reclamar dela, com ou sem lógica ou fundamento.

Eu sou defensora da existência de livros de Youtuber. Nem vou pedir desculpa.

Falaram sobre o conteúdo dos livros, sobre o absurdo de pessoas tão novas que ainda não fizeram nada já lançarem biografias. Criticaram desde os próprios Youtubers, falando que seus vídeos não são relevantes ou são vazios de conteúdo até quem assiste a esses vídeos e alimenta essa cultura (ou falta de). Reclamaram das editoras darem espaço para essas pessoas ao invés de publicarem coisas que realmente importam.


Acontece que Youtubers não estão roubando lugar de ninguém, estão só ocupando um lugar no mercado que ficou "vazio" quando a onda dos livros de colorir passou. Nenhuma editora está deixando de publicar autores porque começaram a publicar livros de Youtuber, até porque, se considerarmos as maiores editoras do país, todas têm vários lançamentos por mês, de vários selos diferentes. Ninguém está perdendo lugar. E livro de YouTuber não estourou "do nada".

A saga Crepúsculo trouxe os livros de vampiro à tona numa época em que também ajudou a abrir as portas do mercado para literatura young adult. Depois de Crepúsculo, o mercado não pode mais ignorar que havia sim uma procura por livros adolescentes paranormais e de outros tipos. Assim, tiveram que prestar atenção a esse público (ou pelo menos começar a prestar atenção) e a dar a ele o que ele queria. O sucesso de Cinquenta tons de cinza tirou das mulheres a culpa por ler livros eróticos e trouxe esse tipo de literatura das prateleiras escondidas para os destaques e listas de mais vendidos, em especial por ter acontecido numa época em que se discute sexo e feminismo abertamente, mas ainda se trata sexualidade feminina como tabu. Cinquenta tons de cinza pegou isso e jogou na cara das pessoas. Livros de colorir tiveram grande demanda como válvula de escape numa época em que ser extremamente ocupado e estressado é cada vez mais visto como algo comum.

Livro de Youtuber não estourou agora à toa. Youtuber começou a ser encarado como profissão de forma recente, e por ser algo novo, é também algo que muitas pessoas ainda não entendem bem como funciona. A influência de canais do YouTube nos hábitos de consumo e comportamento é inegável, e a curiosidade sobre quem são as pessoas por trás desses canais é natural, principalmente vinda do público desses canais. Somando tudo isso à sensação de proximidade que esse público sente com o Youtuber por causa de redes sociais (e considerando que esse público é, em sua maioria, adolescente e jovem adulto) é mesmo tão difícil assim de entender por que os livros que levam seus nomes vendem tanto?

Youtubers, querendo ou não, acabam se tornando celebridades, e o público dessas celebridades está disposto a consumir o que elas têm para oferecer. Livros, por mais que muitas vezes sejam vistos como se fossem Baluartes de Cultura e Conhecimento, também são um produto. Calhou de as editoras e os Youtubers conseguirem lucrar juntando esses dois. E isso não devia ser demérito para nenhum deles.


Editoras precisam lucrar não porque são empresas capitalistas malignas que só querem arrancar dinheiro das pessoas com essas porcarias. Editoras precisam lucrar porque senão elas fecham. Isso não devia ser informação nova. Editora que não lucra, fecha. É só ver o caso da Cosac Naif. E estou falando em lucro, e não em chegar no fim do mês com a conta fechada certinha. O lucro gerado pelos livros que vêm dessas ondas literárias muitas vezes é o que permite uma editora apostar em um livro ou autor que talvez não gere tanto dinheiro em caixa depois, mas que por x motivos (por ser uma aposta da editora, por ganhar prêmios, por ter potencial, tanto faz) vale a pena ter no catálogo. Não dá para em 2016 as pessoas continuarem fazendo textão julgando literatura voltada para entretenimento ou mais popular. Não se chama de mercado literário à toa. Mercado. E todo mercado tem épocas em que determinados produtos têm maior demanda.

Claro que isso não significa que não se pode criticar o conteúdo desses livros. Claro que pode, mas é sempre bom levar em consideração qual o público daquele livro e qual o objetivo desse livro. Duvido muito que a Kéfera tenha escrito o livro dela pensando se o público do José Saramago ia achar bacana, ou que o livro do PC Siqueira tenha sido feito pensando se as fãs de Cinquenta tons de cinza vão achar divertido. Qualquer pessoa pode se interessar por qualquer livro, mas eles sempre são feitos e "marketados" pensando em um determinado grupo de pessoa. E a maioria dos livros de Youtuber que são lançados (biografias dos Youtubers contendo histórias e reflexões pessoais e sobre seus canais) são feitos pensando no público deles - que não é pequeno e não deve ser ignorado só porque tem gente que não curte. Eu sei que isso acaba gerando situações em que livros são lançados às pressas e de qualquer jeito só para não perder o momento, mas isso não é exclusividade de livro de Youtuber. Acontece em todas as novas ondas literárias do momento. Tem nessa, teve na anterior, vai ter na próxima. Se existe uma demanda, o mercado vai cobri-la, e nesse momento as editoras encontraram um grande potencial nos livros de Youtuber. O público quer comprar, os Youtubers querem produzir, as editoras querem vender.

público, editoras e Youtubers
E isso porque eu só mencionei por enquanto as editoras e os Youtubers. Tem também as livrarias. Livraria que não lucra também fecha. Livreiros, em sua grande maioria, recebem por comissão, ou seja, o salário do fim do mês depende do quanto a livraria vendeu. E salário de livreiro já é bem pequeno, viu. Aliás, livraria que não lucra não só fecha como demite funcionários, não abre espaço para eventos, não consegue investir em melhorias não só para os funcionários como para o consumidor. O Jardim Secreto salvou o salário de muito livreiro. O livro da Kéfera ajudou muita livraria a não fechar no vermelho.

E eu nem vou me estender muito na questão de livro de Youtuber formar ou não público leitor. A Kéfera levou milhares de adolescentes para a Bienal. A Jout Jout lota sessões de autógrafo em livrarias. Talvez parte desse público só compre esse livro desse Youtuber e nenhum outro. Talvez parte dele realmente se torne Leitor assim, com L maiúsculo, porque às vezes um livro puxa outro e a gente só precisa encontrar um para começar. Mas os Youtubers levaram para eventos literários e para as livrarias uma quantidade enorme de pessoas que não costuma muito frequentar esses ambientes. Se 10% dessas pessoas ficarem, é ótimo.

Ninguém tem obrigação de gostar de livro de Youtuber. Talvez o mercado esteja mesmo começando a ficar saturado. Claro que pode criticar ou reclamar do conteúdo. Também pode sim ter antipatia sem conhecer, às vezes o santo não bate e pronto. Mas criticar a mera existência desses livros não é só esnobismo, é não entender nada sobre como o mercado literário funciona. E é sempre bom entender qual o contexto de um produto que você consome tão vorazmente - tanto faz se é uma camiseta, um batom ou um livro.





PLAYLIST: OS MLK SÃO DENGOSO


Esses últimos dias NÃO ESTÁ SENDO FÁCIL para os fãs de One Direction e eu sei o quanto é desesperador ver a possibilidade da sua boyband ir cada um pra um canto, então quando meu irmão (recém adepto do Spotify) disse que ia criar uma playlist com as melhores músicas deles, pensei que seria um bom momento de roubar essa playlist em que ele escolheu as músicas que mais gosta dos cds e as mais conhecidas e fazer um post em homenagem. É uma boa oportunidade pra quem torce o nariz pra banda dar uma chance pras músicas.

E lembrem-se: se o pior acontecer, depois de anos Backstreet Boys fez um lindíssimo comeback com shows tão esgotados que tiveram que fazer um extra. TENHAM FÉ.

Não sei ficar doente parte 2: embalagem de antibiótico não é comestível


Depois do médico ter me garantido que não, eu não ia morrer por garganta inflamada, comprei o antibiótico e o antialérgico (aproveitei e reabasteci meu estoque de remédios pra dor de cabeça) e fui pra casa cometer mais um erro: ler a bula. Costumo ler sempre por masoquismo (a parte das reações adversas sempre me deixa meio em pânico), mas dessa vez a coisa parecia ser realmente útil porque quando abri o antibiótico tinha um pacotinho bem pequenininho de alguma coisa dentro, junto com os comprimidos. Mas na bula não tinha nenhuma menção àquilo, nada indicando como nem se deveria ser tomado, então deixei pra lá. Na receita o médico já tinha deixado certinho como eles deveriam ser tomados, então se ele não tinha dito nada fora de comprimidos, estava tudo bem, não é?


Eu tinha esquecido o tamanho que um comprimido de antibiótico tem. E o tamanho de um antialérgico. E é claro que, acostumada a tomar dois remédios pequenos juntos (a pílula e a paroxetina), eu tentei meio que por memória muscular engolir os dois ao mesmo tempo.

A minha sorte é que o antialérgico era só pra 3 dias, então não deu tempo de cometer o mesmo erro de novo. Pois não duvide, se fosse mais tempo, ele se repetiria. Sou dessas.

Mas a garganta ia melhorando, a dor de ouvido passou em dois dias, meu nariz é eternamente entupido logo não faz diferença mesmo, era pra tudo estar correndo bem. Se eu não tivesse começado a tossir como se meu corpo estivesse rejeitando meu pulmão. É tipo aquela ideia de que encanador conserta os canos ferrando com a fiação, mas nesse caso eu estava resolvendo um problema de saúde enquanto meu corpo encontrava outro pra colocar no lugar.

meu corpo tentando resolver as coisas
Já perto do final do tempo do antibiótico, comecei a achar muito estranho que a tosse não sumia de jeito nenhum e a garganta, apesar de bem melhor, ainda não tinha parado completamente de doer. Por um desses motivos que talvez no dia do juízo final deus me conte a razão de ser, eu associei isso com o tal pacotinho e cometi mais um erro: fui jogar o nome do remédio no google. Encontrei algumas informações sobre ele em comprimido e em pó, e então três coisas passaram pela minha cabeça:
1) era pra eu ter tomado aquele pacotinho
2) eu não tinha tomado o pacotinho, logo o antibiótico não ia funcionar direito
3) eu ia morrer
Li páginas e mais páginas falando sobre as duas versões, mas nenhuma dizia exatamente como eu deveria tomar ele em versão comprimido E em pó. Aí fiquei desesperada, acendi as luzes da casa e fui acordar minha mãe pra avisar que não estava tomando o antibiótico direito sem querer e ia morrer.

Tudo isso era duas da manhã.

Depois de ter escutado algo como "EU NÃO VOU LIDAR COM ISSO ÀS DUAS DA MANHÃ", decidi que ia tomar o que tinha no pacotinho com água mesmo e que deus tivesse piedade da minha alma.

Só que antes eu resolvi fazer o que devia ter feito desde o começo: eu li o que estava escrito naquele pacotinho do tamanho de metade do meu dedo mindinho.

Não
era
remédio.


Era só um pacotinho embalado pra absorver qualquer possível umidade dentro da embalagem do antibiótico. Inclusive estava escrito em vermelho que não era pra comer. Tipo dessecante. E foi assim que eu quase comi um componente de embalagem de antibiótico.

Ficar doente é muita emoção. Eu nunca sei se a possibilidade de morrer é maior por causa da doença ou por minha própria culpa mesmo.

Não sei ficar doente parte 1: não sei não achar que vou morrer no consultório médico


Não sei ter dor de garganta sem quase morrer no processo: toda vez que acontece, é caso de ir pro hospital e tomar antibiótico. Era de se esperar que aos 30 anos eu já teria aprendido isso, mas aprender com meus próprios erros é um negócio que acho que nessa encarnação não vai rolar.


Garganta doeu no primeiro dia, achei que só pensamento positivo ia resolver. Fiquei surpresa quando não resolveu.

Garganta doeu no segundo dia, fiz o que qualquer pessoa sensata faria: fui pedir ajuda no twitter de receitas de vó. Tentei a do leite com canela (ficou horrível, odeio canela fora de bolinho de chuva) e a do gargarejo com água e sal (engoli a água sem querer, não foi legal). Resolveu por meia hora.

Foi preciso chorar de dor de madrugada pra resolver fazer algo decente a respeito, então minha mãe me acompanhou ao hospital. A essa altura doía também o ouvido e o nariz entupia aleatoriamente. Obviamente eu estava morrendo.


Não precisou de nem dois minutos pro médico constatar que sim, minha garganta estava loucamente inflamada, mas não, não era nada grave. Até aí tudo ótimo, mas é claro que não ia ficar assim por muito tempo.

Eu sou uma pessoa meio sugestionável em determinadas situações. Uma delas é consultório médico. E também sou meio paranoica e tenho uma certa tendência a achar que todas as doenças que eu tenho invariavelmente virarão coisas graves e eu vou morrer. É involuntário. Uma vez achei que meu nariz escorrendo era líquido do cérebro saindo pelo nariz. Já chorei e tive crise de ansiedade de madrugada porque estava com dor de cabeça e resolvi pesquisar como era uma tomografia e cheguei à conclusão de que nunca ia conseguir entrar naquela máquina porque tenho medo de espaços pequenos então o tumor que eu potencialmente poderia ter no cérebro não seria descoberto nunca e eu ia morrer.

Então quando o médico resolveu examinar meu ouvido e perguntou se algum dos dois doía mais que o outro, senti todo o sangue fugir da minha cara. Porque eu não via diferença.


Os dois doíam igual. Tinha alguma coisa errada nisso? Era pra um estar doendo mais que o outro? Isso significava alguma coisa? Tinha um inflamado e o outro não? Eu ia ficar surda? Eu ia morrer?

"... eu não vejo muita diferença... acho que o direito?"
"Seu ouvido esquerdo tá um pouquinho afetado pela inflamação da garganta."

Pronto. Errei qual ouvido estava doendo mais. Eu devia ter ficado quieta. E se eu estiver perdendo a sensibilidade no ouvido? E se eu estiver perdendo a capacidade de diferenciar direita de esquerda? E se o médico achar que eu tô mentindo, não receitar nada, eu voltar pra casa e morrer dessa coisa obviamente grave que eu tenho na garganta e no ouvido? E se não for nada grave, ele não receitar nada, eu voltar pra casa e de repente virar algo grave? Eu ia morrer?

Não era nada grave e ele receitou os remédios que precisava, entre eles um antialérgico e um antibiótico. Antialérgico por 3 dias, antibiótico por 7. Era pra ser bem simples.

Não foi, mas isso fica pro próximo post, quando eu explicar como eu quase comi um componente da embalagem do antibiótico sem querer. Vai vendo.


5 gatos e cachorros pra seguir no instagram porque convenhamos, muito melhor que seguir gente


Já que 2016 resolveu que vai ser um enorme mês de Agosto, resolvi espalhar um pouquinho de amor no mundo e recomendar 5 perfis de gatos e cachorros pra seguir no instagram. Eles nunca vão falar besteira, nunca vão te decepcionar e tudo que você precisa fazer é não esquecer o sachê e jogar a bolinha ❤ Se quiserem, tem também o perfil aqui do blog, que vira e mexe aparece meus gatos por lá.

Polenta nasceu pra ser modelo
Uma foto publicada por polenta (@itspolenta) em


A Smoothie é mais bonita do que 
90% das pessoas que eu conheço
Uma foto publicada por @smoothiethecat em


Alice e Finnegan às vezes se unem 
pra fazer bullying com o Oliver


O gato Miu e o gato Mu são lindos 
(e tem o melhor twitter)
Uma foto publicada por gato miu (@gatomiu) em


O Norbert dá hi-five, gente

Morcego, mariposa, Crepúsculo, tudo igual, não é mesmo?


Não sei se vocês lembram, mas um tempinho atrás um sapo entrou no meu quarto. Achei que depois dessa bizarrice relativamente comum eu poderia aproveitar algum tempo sem visitas indesejadas.

Esse "algum tempo" foi de aproximadamente um mês.

Outro bicho que costuma muito entrar aqui é mariposa. Daquelas enormes. Sabe aquela ideia de efeito borboleta, de que o bater de asas de uma borboleta pode provocar um furacão em algum lugar? Se imaginar essa frase num sentido mais literal, dá pra ter uma noção do tamanho das mariposas que entram aqui.

(Na verdade são apenas mariposas muito, muito grandes e eu morro de medo, mas me deixa, ok)

Quando uma mariposa dessas entra no quarto, minhas reações podem ser resumidas em duas: ou eu me escondo debaixo da coberta e fico lá até minha mãe conseguir tirar o bicho do quarto, ou eu saio correndo e fico no quintal até minha mãe conseguir tirar o bicho do quarto. Eu provavelmente nunca vou estar apta a morar sozinha, mas o ponto não é esse.

Uns dias atrás, não sei exatamente quando porque memória lixo é assim mesmo, começou a passar Amanhecer parte 1 da tv. Mas sempre que qualquer filme da saga Crepúsculo passa, eu e minha mãe assistimos. Então o filme começou e eu falei "olha, começou Crepúsculo", porque eu chamo todos os filmes de Crepúsculo mesmo, enquanto meu gato amarelo, o Pepê, aquele da estante, entrou no quarto com alguma coisa enorme na boca.

Aí a coisa enorme e marrom que ele tinha na boca escapou, batendo as asas dentro do quarto, e minha reação foi me esconder embaixo da coberta e gritar "MARIPOSA!". Minha mãe me mandou ficar embaixo da coberta enquanto ela buscava a vassoura pra tirar o bicho de lá (como se eu fosse sair dali de qualquer maneira), que, a essa altura, tinha se escondido atrás do guarda-roupa. Nesse momento eu estava mais do que decidida a dormir na sala ou no quintal mesmo, até que aparentemente a mariposa saiu de detrás do guarda-roupa, voou pelo quarto e grudou no teto, perto da parede.

Aí mamãe informa que não era uma mariposa, era um morcego.

O gato trouxe uma porra de um morcego pra dentro do quarto.


Aí eu usei a coberta de escudo pra sair de dentro do quarto, e logo depois minha mãe conseguiu tirar o morcego de lá de dentro. Defensores dos animais podem ficar tranquilos, porque nenhum bicho foi machucado nesse processo: o morcego não só saiu intacto como se escondeu numa das árvores do quintal. E meu gato ainda ficou olhando com cara de ódio, obviamente ofendido por termos expulsado o amigo dele de forma tão rude.

Fiquei pensando se devia temer algum tipo de vingança, enquanto na tv Edward Cullen tentava segurar o riso por causa do nome ridículo que Bella escolheu pro bebê deles.

No fundo eu tenho certeza que ele tava é rindo da minha cara.

A trilha sonora dos vilões


Vilões são sempre um grande atrativo nos filmes de animação, e não contentes em serem sempre os melhores personagens (às vezes empatando com algum dos secundários, mas definitivamente na frente dos protagonistas), em muitos casos também têm as melhores músicas. Se um herói é tão bom quanto seu vilão, um vilão é tão bom quanto sua trilha sonora.

Sim, esse post saiu praticamente um ode à Disney. Me deixem ok.



OOGIE BOOGIE'S SONG – THE NIGHTMARE BEFORE CHRISTMAS

Não tenho capacidade de expressar meu amor por esse filme ❤ Esse aqui vai ser o único video em que vou colocar o player direto pra versão original, porque a em português é horrível se comparada com ela. Aliás, acho esse filme versão dublada todo cagado, mas é porque eu amo demais as músicas do original e eu sou ruim e amarga, então me deixa.



SE PREPAREM – REI LEÃO

A trilha sonora de O rei leão é maravilhosa, mas pra mim nem Hakuna Matata bate a música do Scar. A versão broadway de Se preparem (Be prepared) também é tão sensacional quanto a original! E o melhor da música do Scar é que o conteúdo político dela é enorme, mas quase ninguém nota porque “é música da Disney”.



CORAÇÕES INFELIZES – A PEQUENA SEREIA

A pequena sereia é um dos meus filmes preferidos e amo praticamente todas as músicas, mas Corações infelizes é a melhor, de longe. Gosto mais da versão original (Poor unfortunate souls), e a versão da broadway também é maravilhosa!



CRUELA CRUEL – 101 DÁLMATAS

A vilã fashionista e completamente perturbada é provavelmente uma das mais malvadas, porque querer matar princesas e reis é o de menos: ELA QUER MATAR CACHORRINHOS D: e ainda foi interpretada pela maravilhosa da Glenn Close! A versão em português saiu tão legal quanto a original (Cruella De Vil), que é maravilhosa!



SUA MÃE SABE MAIS – ENROLADOS

Mamãe Gothel, a rainha do passivo-agressivo: convence Rapunzel de que o mundo lá fora é uma merda, faz um drama sobre ser largada pela filha ingrata e ainda ofende a menina dizendo que faz isso porque a ama. Quem nunca. A versão original também vale a pena!



AMIGOS DO OUTRO LADO – A PRINCESA E O SAPO

Gosto bastante do filme, mas tenho um amor enorme pela música do Dr. Facilier porque ela me lembra a Pink elephants on parade: essa vibe meio misteriosa, meio assustadora, as cores, como se fosse um sonho muito esquisito ou um pesadelo muito colorido. A melhor parte da cena é ficar de olho na sombra do Dr. Facilier! Gosto mais da versão original (Friends on the other side), mas em português ficou ótima!



GASTON – A BELA E A FERA

O que falar desse ode ao Gaston? Gaston e ele mesmo = OTP ❤ a música original (Gaston) é ótima, mas prefiro a versão em português. Aliás, Gaston é ótimo, né? Certeza que se esse filme fosse agora ele estaria compartilhando videos de revenge porn no whatsapp, comentando em anônimo no G1 e terminando argumentos com “é a minha opinião”.



BONUS: A MÚSICA DA YZMA!

POIS É, a Yzma era pra ter uma música só dela, mas a cena foi cortada porque não tinha muito como encaixar no filme. Uma pena, porque Snuff out the light é TÃO MARAVILHOSA QUANTO A YZMA!

"O grito" e o arruinamento da proteção da coberta


É uma verdade universalmente conhecida que, a partir do momento em que você está na cama e cobre a cabeça com a coberta, está automaticamente protegido de todos os males do mundo. É a mesma coisa de não deixar o pé pra fora da cama significar que, seja lá o que estiver debaixo da sua cama, não vai te assombrar naquela noite.


A proteção da coberta sempre foi um conforto pra mim, que sou medrosa porém tenho uma imaginação ativa até demais (sem contar o senso de autopreservação meio defeituoso).

Mas é claro que nada de bom nessa vida dura muito.

Quando eu ainda assistia filmes de terror, fui assistir O grito. E eu estava sobrevivendo a ele bem de boa, até. Provavelmente voltaria a dormir à noite depois de uma semana, ou algo assim. Até que chegou a cena que arruinou a minha vida.

A moça, assustada com a mulher gritalhona do filme, se esconde debaixo da coberta. Ótimo, não é mesmo? Não. Porque depois de cobrir a cabeça e olhar para baixo, adivinha o que ela vê.

a
desgraça
da
gritalhona
debaixo
da
coberta.

Eu ia colocar um gif dessa cena aqui, mas vou poupar vocês dessa. Mentira, eu vou me poupar dessa porque não vou procurar gif desse troço aí não.

Mas a questão é que essa cena arruinou a santidade da proteção da coberta, Todas as certezas que eu tinha na vida foram pro ralo, tudo em que eu acreditava foi post em xeque.

Nunca me recuperei disso. Se eu não posso confiar que vou estar segura de espíritos vingativos e demônios me escondendo debaixo da coberta, eu vou confiar em que?