Abandonamento de coisas devia ser esporte olímpico


E a medalha de ouro provavelmente seria minha, pela capacidade de abandonar coisas que ainda nem comecei.


Tenho cadernos e bloquinhos lindos que comprei pra coisas específicas e nunca usei, e não tenho nenhuma desculpa pra isso. Nenhuma. A ideia martelou na minha cabeça, eu olhei pra ela e... nada. Nem meu pessimismo eu posso culpar, porque boa parte dessas coisas abandonadas não foram um caso de "não vai dar certo mesmo". Foi apenas um grande, enorme NOPE.

Uns anos atrás, tinha lido sobre o Q&A a day, que tem basicamente a ideia de responder uma pergunta por dia durante 5 anos, pra ir acompanhando as respostas ao longo dos anos e etc e tal. Resolvi tentar porque why not, não é mesmo? Não era algo impossível, sabe. A maioria das perguntas era coisa de menos de uma linha. Algumas até com respostas monossilábicas, se eu quisesse. Então comprei. Acabei levando também o One line a day, que seria manter, também durante 5 anos, uma espécie de diarinho: cada dia uma frase ou resuminho do seu dia, numa espécie de diarinho de gente que não tá muito afim de preencher muitas páginas e se contenta com 6 linhas curtinhas.

O One line a day eu adiei eternamente. o Q&A a day eu cheguei a começar e fazer direito por algumas semanas, mas fui atrasando, esquecendo alguns dias, depois alguns meses. Largava, voltava, largava de vez, no final das contas ele virou a representação esburacada de um enorme desastre em 3 anos. Não ficaria surpresa se quem lesse pensasse que sofro de amnésia.

Tenho um livro chamado 642 things to write about, que é pra estimular a criatividade e a escrita. São 642 sugestões de coisas pra você escrever sobre/desenvolver, que vão de uma cena sobre infância de algum personagem qualquer até uma discussão entre piratas. Cada sugestão tem um espaço específico pra escrever, então o número de linhas que você tem pra isso varia. Não precisa seguir ordem. Não precisa usar todo dia. Aparente não precisa usar nunca, porque é basicamente isso que eu fiz.

Também tenho o Listografia. pra preencher listas. Por enquanto as listas foram preenchidas com vários nadas. Mesmo caso do My bibliofile, preenchido com um total de zero livros (poderia me defender dizendo "ah mas eu fazia as resenhas no blog" mas né. Nope).

Eu tenho um monte de batons bonitos e outras coisas assim e pretendia começar a usar todo dia pra ficar em casa mesmo pra testar se faz alguma diferença na auto-estima e etc, mas nem arrumar a gaveta onde isso tudo fica eu arrumei. Mais fácil usar tudo isso pra colorir Livro de Colorir de Adulto.

Tinha começado o projeto fotográfico lá do Sernaiotto, o The Fabulous Project, mas só consegui ir até o dia 12 (e mesmo assim, teve dias em que tive que postar duas fotos pra compensar o dia anterior que eu tinha esquecido).

Ideias de coisas pra criar, pra escrever, pra vestir e afins, não há limites pro que eu posso largar antes mesmo de começar a fazer.


Decidi então ter um pouquinho de vergonha na cara (só um pouquinho, pra não ficar mal acostumada) e retomar algumas dessas coisas. O Q&A a day já era algo perdido mesmo, então aproveitei que a Intrínseca lançou por aqui com o nome de Uma pergunta por dia e comprei um novo. Dei uma deslizada esquecendo um ou dois dias, mas consegui recuperar a tempo. Comecei em 1º de Janeiro mesmo, e por enquanto ele segue devidamente preenchido. Mesma coisa com o One line a day, que agora provavelmente vai servir pra documentar meus Dias Bons e Dias Ruins, já que na sexta-feira voltei a tomar remédio pra depressão. E mesmo fazendo alguns comentários/resenhas por aqui, meu My bibliofile vai ser usado nem que eu tenha que copiar as informações do meu Goodreads. O projeto fotográfico eu vou correr pra colocar em dia #oremos.

Vamos ver por quanto tempo isso tudo vai durar.

Ah. Eu quase abandonei esse post.

22 anos é tempo pra caralho


Essa semana fui encontrar uma amiga que mora fora do país já tem uns bons anos. A Mariana veio com o marido visitar os pais dela e conseguimos separar um dia pra colocar um pouco da conversa em dia, já que somos duas palhaças com cérebros que acham que é ok pegar o arquivo "preciso responder essa mensagem" e guardar na pasta "mensagem enviada", então nos falamos bem menos do que poderíamos. Mas nesse dia nós saímos, junto com outra amiga. Quando cheguei em casa, fui fazer as contas pra saber há quanto tempo a gente se conhecia, já que ela é minha amiga mais antiga. Demorei mais do que devia pra fazer as contas porque sou péssima com datas, e não conseguia lembrar de jeito nenhum em que ano tinha feito a segunda série (agora é terceiro ano, acho? Não sei? Não me importa?). Minha conclusão foi que eu conheço a Mari há 22 anos.

Vinte
e
dois
anos.

wow

Vinte e dois anos atrás, o pescoço da Priscilla ainda nem sustentava a cabeça dela.

Meu irmão, que hoje tem quase um metro e noventa de altura e já está no segundo ano da faculdade, nem sequer existia ainda.

A Bruna Marquezine também não.

O Yahoo! também ainda não tinha sido criado.

O Neymar ainda não sabia nem falar a palavra "bola".

É estranho pensar que tem alguém fora da minha família que eu conheço há tanto tempo assim. Se é comum que, ao longo da vida, amizades feitas do ensino médio pra trás sejam perdidas por falta de contato, imagina aquelas que você faz quando ainda tá começando a ler Monteiro Lobato?

VINTE E DOIS ANOS. Acho que nunca na vida nenhum relacionamento meu vai ser tão longo quanto isso.

Eu devo ter feito alguma coisa muito certa aí no meio.







2016 chegou e não sabe o que tá acontecendo


Meu final de ano foi uma coisa meio season finale de um seriado bem meh que você assiste por ter com ele uma coisa meio síndrome de estocolmo, aí surge um plot twist muito louco nos últimos 5 minutos e você junta o resto do fandom pra começar as teorias enquanto a temporada nova não começa. E eu costumo ter um bom histórico com séries assim, que você continua assistindo sem ter certeza de porque tá fazendo isso com você mesma. Revenge assisti até o fim mesmo dizendo ao final de todo episódio que aquele seria o último. Grey's Anatomy já perdi as contas de quantas vezes larguei e voltei, e meio que já desisti de tentar largar. Big Bang Theory acho que é a coisa mais próxima de guilty pleasure que eu tenho, mas essa tenho fé que uma hora consigo largar de vez (já tô quase 2 temporadas atrasada, acho que é um bom sinal). Teen Wolf eu consegui largar. Acho.

2016, ao olhar em volta
De qualquer maneira, consigo imaginar 2016 chegando no portão de casa e pensando "ok, eu posso lidar com isso", até olhar em volta e dar de cara com uma maratona de Brooklyn 99 (total de 43 episódios em 2 dias e meio), um monte de poeira e papel sujo pelo chão, pelo de gato por todos os lados, procrastinação e Neko Atsume.

Dá quase pra visualizar 2016 virando as costas, falando "...nope" e indo embora.

2016, amigo, vem cá. Se eu não tenho escolha, você também não tem.